Histórias
Em contagem crescente

É na rua, entre Lisboa e Setúbal, que eles gostam de andar. Juntos, têm mais de 50 anos na EDP Distribuição. E não querem que a contagem fique por aqui.

As histórias das empresas fazem-se das pessoas que por lá passam. E para as pessoas, as suas histórias são marcadas pelas experiências que vivem. Nos casos de António e Paulo, há uma empresa que conta a história das suas vidas pessoais e profissionais. A empresa que conhecem por dentro desde que acabaram de estudar e começaram a trabalhar: a EDP. 

O primeiro a juntar-se ao Grupo EDP foi António Manuel, em 1986. Entrou para a casa quando ainda era um jovem estudante, na altura no 10.º ano:

 

Passei pela conservação das redes de baixa tensão e desde 1993 que estou na parte das contagens. Ouvi na escola que a EDP estava a contratar pessoas e foi mesmo no último dia que consegui entregar a candidatura.  

António Campos

Quando já contava com dois anos na área das contagens viu chegar um novo colega. Paulo Lopes entrou para a EDP em 1995, então com 18 anos, através de um estágio, depois de ter completado um curso técnico-profissional em eletricidade: “Por acaso fiz o estágio nesta área [das contagens] e entrei”.

O prazer de andar na rua

Atualmente, a EDP Distribuição tem três tipos de clientes. Os clientes de baixa tensão normal, os clientes de baixa tensão especial e os clientes de média tensão. É com os contadores de todos estes clientes que os técnicos de contagens trabalham.

 

De manhã fazemos uma coisa e à tarde outra completamente diferente.

Paulo Lopes

Parte das tarefas consiste em “preparar o trabalho dos técnicos que estão na rua, no sentido da programação dos equipamentos e daquilo que é necessário”, explica Paulo. Além disso, existe ainda a preparação do próprio trabalho: “Nomeadamente alguns casos difíceis de acesso onde é preciso a nossa intervenção”, continua.

Há uns tempos, a rotina sofreu algumas alterações, com António e Paulo a conjugarem o lado técnico com uma vertente mais administrativa. Mas o prazer de andar na rua está sempre presente: “Aquilo que eu gostaria era de estar o dia todo no terreno. É mais saudável”, diz António. Uma opinião que é corroborada por Paulo: “Lá fora é que é a nossa praia”.

Apesar das mudanças, o trabalho no terreno não se perdeu, e sempre que podem é para lá que vão, num desafio constante que faz os dias nunca serem iguais: “Nem sempre o trabalho de segunda-feira é igual ao de terça. E de manhã fazemos uma coisa e à tarde fazemos outra completamente diferente”, conta Paulo, entusiasmado.

Lidar com conflitos

Ao longo de tantos anos a trabalhar no terreno, as histórias e episódios acumulam-se. Uns mais engraçados e caricatos, outros mais complicados: “Já fomos agredidos, pelo menos houve tentativa, já fomos expulsos... passamos por muita coisa”, começa por destacar António. “A agressão verbal é fácil, essa é a mais corrente”, intervém Paulo no segundo a seguir. Apesar de ser algo que não acontece com muita frequência, a verdade é que, por vezes, é necessário abandonar o local para evitar agressões físicas. Além disso, os anos de experiência também ajudam a prever e prevenir determinadas situações.

 

Nunca nos podemos esquecer de que o nosso trabalho no terreno é feito dentro da propriedade de outra pessoa, a vermos algo que é nosso, a controlarmos algo que regista um bem que é essencial.

Paulo Lopes

 

Já vamos com alguma bagagem para perceber se vai ou não vai existir conflito. Fazemos o estudo das situações antes de irmos para o terreno.

António Campos

Uma profissão em evolução permanente

“Há 40 anos, havia leitores-cobradores, alguém que subia a escada, tirava a leitura, fazia a conta e cobrava diretamente. Hoje estamos anos-luz à frente disso”. Este exemplo de Paulo serve para ilustrar a evolução que a profissão de técnico de contagem tem tido ao longo das décadas.

Para isso, muito contribuiu a própria evolução dos contadores. E, mais recentemente, os equipamentos inteligentes vieram alterar ainda mais o panorama: “Permitem evitar as estimativas”, exemplifica António.

Mas as mudanças não se ficam por aqui. A explicação fica a cargo de Paulo: “Nas casas que já têm estes equipamentos, deixamos de ter alguém a bater à porta a tirar a leitura, o cliente pode decidir se quer mais ou menos potência e nós conseguimos fazê-lo à distância”.

Aprendizagem constante

Esta rápida atualização tecnológica leva a que os técnicos de contagem estejam num processo de aprendizagem permanente. Motivo suficiente para Paulo considerar que é cada vez mais difícil ter bons técnicos: “Quando tínhamos uma tecnologia mecânica, um técnico fazia-se em determinado tempo, mas hoje temos essa tecnologia e mais não sei quantos anos de evolução na eletrónica, por exemplo”.

E mesmo os profissionais que, como Paulo, já têm mais de 20 anos de experiência, precisam de ter sempre a consciência de que têm algo novo para aprender.

 

Um técnico de contagem nunca sabe tudo, porque amanhã aparece outra coisa e estamos sempre a aprender. É uma área de aprendizagem constante.

Paulo Lopes

Mas trabalhar na EDP Distribuição ensina muito mais do que apenas a componente técnica da área das contagens. Como passam uma parte do seu tempo no terreno, em contacto com as pessoas, têm uma “noção muito mais real” daquilo que é a sociedade, considera Paulo Lopes. Para António, trabalhar na EDP Distribuição é estar num sítio rodeado de pessoas que gosta.

António Manuel está na Empresa há mais de 30 anos e Paulo Lopes há mais de duas décadas. São técnicos de contagem que aprenderam e evoluíram lado a lado com os saltos tecnológicos, numa casa onde esperam continuar e somar ainda mais anos, numa contagem crescente.

 

Um aspeto muito positivo é a relação entre colegas. Neste departamento foi onde eu encontrei as pessoas com quem me sinto bem a conviver todos os dias.

António Campos